A primeira.
Muitos chamam esse tipo de peça de “tábua de carne”.
Na prática, é uma tábua com friso perimetral — o sulco ao redor da superfície que retém líquidos durante o corte. Seja carne, tomate, manga ou qualquer preparo mais úmido, o líquido permanece ali e não escorre para a mesa.
Uma solução simples e funcional.
Se você procura uma peça leve, essa não é.
Se procura uma tábua para atravessar décadas de uso, é exatamente essa a proposta.

Esta peça específica foi construída com três madeiras:
Pau Santo (Zollernia paraensis)
Pau Marfim (Balfourodendron riedelianum)
Muiracatiara (vendida como tal; o desenho é diferente da rajada tradicional que conheço)
Usei sobras selecionadas da própria marcenaria. Não compro madeira para fazer tábua. Aproveito o que já passou pelo crivo estrutural dos móveis.
O resultado ficou melhor do que eu esperava.
Ela é pesada — e isso é parte do caráter da peça. A densidade dá estabilidade no uso. Não desliza facilmente, não vibra com o corte.
É versátil. Funciona para preparo intenso e também para servir.
Construção
Madeira maciça
Friso executado manualmente
Colagem estrutural com orientação correta das fibras
Lixamento fino
Óleo mineral grau alimentício
Proteção com cera natural (abelha + carnaúba)
Sem verniz.
Sem película sintética.
Sobre as madeiras
O Pau Marfim utilizado veio de estoque antigo da oficina.
Hoje é raro no mercado e não tenho disponibilidade imediata dessa espécie.
Como a produção é sob encomenda, as madeiras podem variar conforme disponibilidade. A escolha sempre respeita três critérios:
• estabilidade estrutural
• segurança para contato com alimentos (Exclusão de madeiras porosas ou madeiras de demolição que podem ter contaminantes como chumbo, DDT e outros)
• procedência legal
Madeira e segurança alimentar
As peças da Oficina Domum que têm contato direto com alimentos não são produzidas com madeira de demolição.
Apesar do apelo estético, madeiras de demolição podem conter resíduos de metais pesados, tintas, vernizes, inseticidas ou outros produtos químicos antigos, tornando-as inadequadas para uso alimentar.
Na Oficina Domum utilizamos exclusivamente madeiras serradas, selecionadas e rastreáveis, próprias para contato com alimentos, todas acompanhadas de DOF — Documento de Origem Florestal (IBAMA), que certifica a procedência legal da madeira.
A escolha do material considera não apenas a estética, mas também segurança alimentar, estabilidade, densidade e comportamento da madeira em uso.
Uso e recomendações
As tabuas e fruteiras podem ter usos diferentes conforme a madeira escolhida:
Para servir alimentos (saladas, frutas cortadas, alimentos crus)
Recomendadas:
- Timborana
- Muirapiranga
- Muiracatiara
- Teca
São madeiras mais densas, menos porosas e mais adequadas para contato direto com alimentos e lavagens ocasionais.
Para frutas inteiras e uso decorativo
Indicadas:
- Imbuia
- Tauari
- Louro Freijó
- Peroba Mica
- Cerejeira
Observações importantes:
- Imbuia e peroba não são indicadas para alimentos quentes, pois podem transferir sabor
- Madeiras como Peroba e Cumaru não são recomendadas para alimentos crus, pois podem amargar
- Madeiras leves (Tauari, Freijó) não devem ser lavadas com frequência — são mais porosas e indicadas para frutas inteiras ou uso decorativo
Sob encomenda
Cada tabua é feita sob encomenda, respeitando:
- a madeira disponível no momento
- as dimensões possíveis do material
- o uso pretendido pelo cliente
Por esse motivo, não existem duas peças iguais.


