Matéria-prima não é estética. É estrutura.
A madeira define o comportamento da peça.
Peso, estabilidade, resistência, resposta ao acabamento e durabilidade começam na escolha da espécie.
Escolher errado compromete décadas.
Origem Legal e Seleção Técnica
Trabalhamos exclusivamente com madeira serrada de origem legal, acompanhada de DOF (Documento de Origem Florestal – IBAMA), quando proveniente de manejo florestal.
Não utilizamos madeira de procedência duvidosa.
A seleção considera:
- estabilidade dimensional
- disponibilidade seca em estufa
- previsibilidade estrutural
- viabilidade técnica de execução
- destino climático da peça
Não trabalhamos com catálogo fixo.
Trabalhamos com critério estrutural.
Espécies Utilizadas com Maior Frequência
Preferencialmente utilizamos espécies com boa disponibilidade seca em estufa e comportamento previsível:
Tauari (mole e duro)
Jequitibá Rosa
Jatobá
Cumaru
Peroba Mica
Louro Freijó
Teca
Essas espécies oferecem equilíbrio entre:
- densidade
- resistência mecânica
- trabalhabilidade
- estabilidade dimensional
- absorção previsível de acabamento
Não aplicamos o mesmo processo para todas.
Cada madeira exige abordagem específica.
Leitura Técnica da Espécie
Cada espécie responde de maneira diferente:
- Densidade influencia peso e esforço estrutural
- Fibra define comportamento ao corte e usinagem
- Porosidade determina absorção de óleo ou selador
- Estabilidade dimensional define tolerância de encaixe
Projeto técnico começa antes da primeira máquina ligar.
Secagem e Controle de Umidade
Utilizamos madeira seca em estufa, com teor de umidade compatível ao ambiente final da peça.
Sem controle adequado:
- ocorre empenamento
- surgem trincas
- juntas abrem
- acabamento falha
Durabilidade começa na secagem.
Projeto Sob Medida
As espécies citadas são recorrentes — não limitantes.
A escolha depende de:
- função da peça
- carga estrutural
- clima de destino
- linguagem formal
- disponibilidade técnica real
Não escolhemos madeira por tendência.
Escolhemos por comportamento estrutural.
Ressignificação de Materiais
Uso responsável de madeira existente
Trabalhamos com madeira nova de origem legal.
Mas também incorporamos madeira já existente quando há viabilidade estrutural e sanitária.
Podem ser utilizadas:
- vigas antigas
- assoalhos históricos
- batentes de portas
- estruturas de telhado
- madeira de poda urbana
- peças de demolição
Não utilizamos madeira antiga por nostalgia.
Utilizamos quando ela suporta função real e segura.
Critério Técnico
Toda madeira resgatada passa por:
- remoção completa de metais
- inspeção estrutural da fibra
- avaliação de trincas internas
- verificação de empenamento
- estabilização prévia
Se a integridade estrutural estiver comprometida, o material não é utilizado como elemento portante.
Pode ser aplicado como:
- revestimento
- superfície
- detalhe
- elemento não estrutural
Mas não como base de carga.
Critério Sanitário
Madeira de demolição não é utilizada em peças com contato direto com alimentos.
Madeiras antigas podem ter sido expostas a:
- inseticidas organoclorados (como DDT)
- preservantes com arsênico
- tintas com chumbo
- óleo queimado
- produtos industriais
- tratamentos antifúngicos desconhecidos
Esses contaminantes penetram na fibra.
Lixamento não garante remoção completa.
Por essa razão:
- tábuas de corte
- superfícies de preparo
- peças com contato alimentar
São produzidas exclusivamente com madeira nova e procedência conhecida.
Poda Urbana
Madeira de poda urbana exige critério ainda maior:
- identificação correta da espécie
- avaliação da idade e saúde da árvore
- análise de tensões internas
- secagem controlada
Nem toda poda vira móvel.
Responsabilidade
Madeira antiga não é automaticamente superior.
Pode apresentar:
- microfissuras invisíveis
- ataque biológico antigo
- contaminação química
- variações internas de densidade
Ressignificar não é romantizar.
É decidir com base estrutural e sanitária.
