Acabamentos

Proteção, matéria e tempo.

Acabamento não é brilho.
É proteção compatível com uso, clima e manutenção futura.

Cada peça recebe o sistema adequado à sua função estrutural e ao ambiente onde irá viver.

Não aplicamos “padrão”.
Aplicamos decisão técnica.


Ambiente de Aplicação

Acabamentos são sensíveis a:

  • temperatura ambiente
  • umidade relativa do ar
  • ventilação
  • tempo de cura entre demãos

Verniz aplicado sob frio intenso ou alta umidade pode:

  • esbranquiçar
  • perder aderência
  • comprometer nivelamento
  • reduzir durabilidade

Não aceleramos cura com calor improvisado.
Respeitamos o tempo químico do material.


Sistemas de Óleo

Utilizados quando o projeto pede:

  • toque natural
  • fácil manutenção futura
  • ausência de película espessa

Aplicamos conforme necessidade:

  • Óleo dinamarquês (com reforço de verniz náutico ou stain, quando necessário)
  • Óleo tungue
  • Formulação própria com óleos vegetais brasileiros
  • Óleo mineral para tábuas e superfícies alimentícias

A escolha considera:

  • grau de exposição à umidade
  • resistência mecânica necessária
  • possibilidade de reaplicação
  • profundidade visual desejada

Quando o projeto pede respiração da madeira, não aplicamos filme plástico sobre a superfície.


Sistemas de Verniz

Utilizados quando há maior exigência mecânica ou química.

Trabalhamos principalmente com:

  • Verniz base água Sayerlack — estabilidade de cor em madeiras claras
  • Verniz PU Sayerlack — alta resistência mecânica e química

Aplicação respeita:

  • faixa ideal de temperatura
  • controle de umidade
  • intervalo técnico entre demãos

Aplicação fora da especificação compromete aderência e vida útil.


Preparação de Superfície

A qualidade final começa antes do acabamento.

Podemos realizar lixamento progressivo até grão 1200 quando o projeto exige refinamento máximo.

Após cura de óleo, aplicamos cera técnica própria composta por:

  • cera de abelha
  • cera de carnaúba

Função:

  • aumento de resistência superficial
  • melhoria do toque
  • facilidade de manutenção futura

Não é camada estética.
É complemento funcional.


Técnicas de Transformação de Superfície

Aplicadas quando o projeto exige caráter material específico.

Não são efeitos decorativos.
São processos físicos e químicos controlados.


Afiação e Preparação de Ferramentas

Superfície de qualidade começa no corte.

Mantemos:

  • formões afiados progressivamente em pedras até alto polimento
  • ajuste de ângulo conforme espécie
  • controle do fio para evitar esmagamento de fibra

Ferramenta cega comprime fibra.
Fibra comprimida compromete encaixe e acabamento.


Ebanização por Carbonização Controlada

Escurecimento superficial por fogo controlado.

Processo envolve:

  • exposição leve e controlada à chama
  • escovação da fibra
  • estabilização
  • selagem posterior

Carbonização excessiva fragiliza camada superficial.
Controle é estrutural, não teatral.


Clareamento Químico Controlado

Aplicação de:

  • amônia
  • peróxido de hidrogênio

Utilizado quando necessário para:

  • uniformização
  • alteração controlada de tonalidade

Consideramos:

  • presença de taninos
  • reação esperada
  • neutralização posterior

Sem neutralização correta, a madeira pode degradar ao longo dos anos.


Escurecimento por Reação Tânica

Aplicado em espécies ricas em tanino.

Uso de:

  • Acetato Ferroso Tetraidratado – Produzido na Oficina

Não é tinta.
É reação química natural com os taninos da madeira.

A estabilidade depende da espécie e do controle do processo.


Coerência Técnica

Nem toda peça deve receber óleo.
Nem toda peça deve receber verniz.

A decisão depende de:

  • tipo de uso
  • frequência de contato
  • exposição à umidade
  • manutenção futura
  • expectativa real do cliente

Todo acabamento exige manutenção compatível.
Isso é explicado antes da entrega.